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Capítulo 6 – Acesa

Capítulo 6 – Acesa

Algumas horas antes….

                Os saltos faziam um pequeno eco ao chocar-se contra o solo enquanto Dani adentrava a empresa. Ela estava angustiada por ter deixado Amy sozinha na casa de Isabel, depois que não a encontraram na boate. A empresária sabia que havia alguma coisa errada. A possibilidade de traição sequer poderia ser uma delas. Ela conhecia Amy o suficiente para saber que o sumiço da loira estava transformando a irritação em ciúmes e que tal possibilidade rondava a mente de sua melhor amiga. Fez de tudo para acalmá-la e tirar a ideia maluca de que Isabel poderia estar com outro alguém de sua cabeça. Bastava olhar para os olhos verdes da meiga loirinha, para perceber o quanto ela era louca por Amy. O amor entre as duas, era de longe um dos sentimentos mais lindos que ela já viu. Não havia a menor possibilidade de Isabel estar com outro alguém. Não, isso não. No entanto, podia sentir que algo estava acontecendo e isso a preocupava.

                Quis ficar com Amy a espera da loira, mas sabia que além de ser uma conversa particular, também não podia abandonar a empresa. Tinham contratos importantes que precisavam ser assinados, os quais Ana estava revisando. Ana. Enquanto saía do elevador e atravessava o longo corredor até a entrada, a conversa que teve com a melhor amiga voltou a sua mente. Finalmente conseguiu confessar que estava mortalmente atraída e talvez até mais que isso, pela caçula dos Collins. Um peso havia saído de seus ombros quando Amy a apoiou. Porém, a ideia de estar apaixonada ainda assustava Dani. Ela tinha medo, mas pela primeira vez estava decidida a deixar que a ruiva atrevida a conquistasse. A tomasse. Ela não podia mais negar aquele desejo avassalador que a consumia. Balançou a cabeça, enquanto ajeitava a bolsa no ombro, permitindo-se dar um pequeno sorriso descrente, pensando em como Ana a tirava de órbita. Fazia longos anos que não sentia algo assim por ninguém e agora estava se permitindo de novo.

                Suspirou fundo, antes de girar a maçaneta da porta de vidro, decidida a chamar Ana e conversar com ela. De mulher para mulher. Sem desvios ou fugas, apenas duas mulheres adultas falando sobre o que querem e sentem. Precisava admitir que apesar da diferença de idade, não havia mais nada daquela criança em Ana. Ela amadureceu até demais. Parte de Dani se sentia contente porque Amy a deixou acreditar que esse sentimento louco delas tinha contribuído para isso. Ela sentia-se bem em saber que talvez a ruiva estivesse tão afim dela a ponto de deixar a vida das noitadas e mulheres de lado. Isso a envaidecia, ao mesmo passo em que a assustava.

                O ar gelado do departamento arrepiou sua pele e as vozes dos funcionários em suas baias atingiu seus ouvidos. Seu coração disparou porque sabia que ao virar no corredor a baia de Ana estaria logo a sua frente. Confrontaria seus estonteantes olhos azuis e a pediria gentilmente para acompanha-la até a sala de reunião. Precisava desarmasse e começaria agora. Era engraçado, mas aquele momento já fazia parte do seu dia e ela tinha que admitir que esperava por ele. Todas as vezes que ela chegava e entrava, dava de cara com a baia da ruiva e os olhos azuis dela estavam sempre cravados em si. No início era apenas desejo que podia ver, mas de uns tempos para cá era mais que isso. Ana a olhava com uma adoração e por mais que ela apenas a cumprimentasse formalmente e disfarçasse, por dentro ela morria. Sentia-se desejada, agraciada, cuidada. Sentia-se feliz apenas com os olhos azuis a admirando.

                “Vamos lá você consegue. Seja gentil e sorria para ela dessa vez.”

Dani sussurrou para si e finalmente tomou coragem para virar o corredor. No entanto, seu entusiasmo fora morrendo lentamente junto com seu sorriso, que aos poucos foi se desfazendo em seu rosto. Pela primeira vez em incontáveis meses, os olhos azuis da ruiva não a estavam esperando entrar. Não estavam cravados nela, despindo-a e adorando-a como sempre. Ana sequer percebeu que ela havia chegado. O som da risada da caçula preencheu seus ouvidos e pareceu sobressair-se a todas as outras conversas paralelas dos demais funcionários. Dani não podia nada além da risada dela. Seu peito apertou e uma fúria enorme a consumiu. Um ciúme que nunca sentira antes na vida e que a fez perder o ar. Apertou a alça da bolsa no ombro, ao passo em que seus olhos pareciam duas chamas acesas olhando Ana meio debruçada sobre a nova estagiária, que ela sequer lembrava o nome, rindo galanteadora. Ela parecia estar ensinando alguma coisa no computador para ela, e elas riam divertidas, como se fossem muitos íntimas.

A loira falsificada da estagiária, olhou para sua garota e qualquer um podia ver que ela estava adorando aquela atenção toda. Dani apertou os dentes, vendo a estagiária fazer um gesto de que não havia entendido e Ana debruçou-se ainda mais por sobre o ombro dela, apontando alguma coisa na tela. Elas se olharam e sorriram. Aquilo fora demais para a empresária. Que o desarme e o sorriso para Ana fosse para puta que pariu. Ela estava furiosa, muito furiosa e que a caçula se preparasse para o que viesse.

– Ana, na minha sala agora!

O quase grito de Dani fez a mais nova pular de susto. Ela afastou-se da estagiária e engoliu em seco quando viu os olhos de sua chefe e crush supremo fuzilando-a como duas bombas de fogo prestes a explodir. Ela estava furiosa e aquilo fez seu coração disparar. Será que tinha analisado algum contrato importante de maneira errada? Não era possível que tivesse feito uma burrada logo no seu primeiro dia.

Os olhos azuis percorreram os colegas de trabalho, que agora estavam sobre um silêncio sepulcral, observando a mais nova funcionária ser chamada furiosamente na sala da chefe, que sem esperar nada passou como um furacão pelo corredor das baias em direção a sua sala. Os colegas deram-lhe um sorrisinho cumplice e Carolina, a estagiária, ainda tinha os olhos arregalados e preocupados.

– Será que a gente analisou alguma coisa errada? Ai meu Deus Ana é meu primeiro dia eu não posso…

– Ei calma, ok! Você está só aprendendo. Pode deixar que se teve algum erro eu lido com a fera. Deixa eu ir lá antes que ela grite de novo.

– Não sabia que ela era brava assim…

– Ela não é, mas a sua instrutora aí parece que gosta de cutucar a onça com vara curta. Ed, o administrativo, pontuou rindo. – Qualquer dia ela te morde viu?

– Ah vai se ferrar Ed. Ana fez o dedo do meio para ele, e os colegas ao redor riram enquanto ela passava em direção a sala de Dani.

– Boa sorte. No pior dos cenários a empresa tem auxílio funeral, vai dar tudo certo Aninha.

A voz de Ed ecoou outra vez, tirando riso dos colegas, enquanto a ruiva elevou a mão com o dedo do meio ainda de costas para ele. Todos riram ainda mais. Ela atravessou o corredor e viu quando a secretária de Dani apontou a sala para ela com os olhos arregalados.

– Ela disse pra entrar direto. Não sei o que você fez, mas se prepare. Ela está soltando fogo pelas ventas.

Ana suspirou, revirando os olhos e bateu na porta. Geralmente Dani a dizia para entrar, mas dessa vez fora só silêncio. Olhou outra vez para a secretária, que fez um gesto com a mão incentivando-a a entrar. Ela suspirou e girou a maçaneta e reparou que as persianas da janela estavam fechadas, o que era raro. O cenário não estava nada bom.

Bateu a porta e encarou a empresária de costas com os braços cruzados e o corpo rígido. Seu coração disparou e parte de si era puro receio por não ter ideia de onde havia errado, enquanto outra não podia negar o tesão. Dani estava perfeitamente gostosa naquela roupa executiva, saia cinza até os joelhos, blusa branca e sapato alto. O cabelo em coque deixava seu lindo pescoço a mostra e os dedos de Ana coçaram para puxar aqueles cabelos e agarrá-la sem dó sobre a mesa. No entanto, ela tinha amor a vida e fazer algo assim só pioraria tudo.

– Me chamou chefe? Ou melhor me gritou?

Ana disse soberba tentando não transparecer o receio que sentia. Manteve a pose e quando Dani virou para ela ainda com os olhos furiosos, ela sorriu por dentro. O idiota do Ed tinha razão. Ela adorava cutucar a onça com vara curta. E que onça, pensou.

– Guarde suas ironias para si mesma, Collins.

– O que eu fiz dessa vez? Ana perguntou derrotada e viu quando Dani espalmou as mãos sobre a mesa.

– Você quer dizer o que você não fez, certo? Eu pedi os contratos na minha mesa quando chegasse e não estou vendo contrato algum aqui. Você está Collins?

A sobrancelha de Ana arqueou e ela engoliu em seco. Nunca tinha visto Dani daquele jeito. Quer dizer, levar esporro dela no trabalho era a coisa mais natural do mundo e estava mais que habituada, mas aquilo era diferente. Não era o esporro comum. Era pior. A mulher parecia possuída e em seu pensamento Ana pediu ajuda ao seu anjo da guarda, porque literalmente não queria morrer ainda.

– Estou finalizando, falta apenas algumas páginas e trago todos. Não quis trazer apenas uma parte. Justificou-se, engolindo em seco.

– Eu estou ausente a mais de duas horas, seria tempo bastante para você concluir a simples tarefa que eu lhe dei se não tivesse perdendo tempo em paquerar a nova estagiária. Se quer sair com ela, que seja, mas aqui dentro quando eu te dou uma ordem, quero que cumpra.

Dani disse entre dentes, extremamente furiosa e Ana arregalou os olhos. Ela processou a frase da empresária e um sorriso cresceu em sua face. Então seria ciúmes? Ela estava com ciúmes de Carol? Dani fuzilou-a, ainda mais puta com o sorriso soberbo na face dela.

– Tem alguma palhaça a sua frente?  

– Palhaça, não. Ciumenta, sim.

Dani gargalhou, dando a volta na mesa e encarando a ruiva. Seus olhos eram puro fogo e aquilo fez Ana ascender, como se fosse o carvão a virar brasa na presença da executiva.

– Não seja ridícula. Sou sua chefe e exijo respeito. Quero os contratos na missa mesa em meia hora e nem um minuto a mais.

Ana aproximou-se dela, desafiadora, enquanto a executiva deu um passo para trás sem deixar de mirar os olhos azuis. O peito de Dani subiu mais depressa, quando sua respiração pareceu acelerar ao dar-se conta de que a mesa estava atrás de si, impedindo-a de sair do cerco feito pelos braços longos da ruiva ao redor de seu corpo. Ela espalmou a mão no peito dela e fez força para não fechar os olhos, quando sentiu o coração da ruiva batendo como um louco.

– O que pensa que está fazendo?! Afastasse por favor. A voz de Dani saiu mais baixa, mas ainda assim firme.

– Então você está me dizendo que o único problema aqui foi o atraso na entrega dos contratos e não o fato de você ter me visto orientando a Carol?

Dani riu, debochada.

– Orientando?! Aquilo estava mais para paquera barata. Quem não sabe mexer em um computador em plena era da tecnologia? Não finja que sou idiota, porque é tudo que eu não sou.

Ana riu, se aproximando ainda mais. Seus olhos quase fecharam de deleite ao sentir o perfume de Dani tão perto e o calor do corpo dela aquecendo o seu.

– Isso parece bem com ciúmes para mim.

Ela sussurrou perto do rosto de Dani e ela tentou empurrá-la outra vez, mas a ruiva manteve as mãos firmes sobre a mesa impedindo-a de sair do seu cerco.

– Deixe-me passar e não seja ridícula. Sou sua chefe e não sua namoradinha. Já disse que se quiser pegar a estagiária é problema seu. Só não faça isso aqui e nem deixe isso atrapalhar as suas tarefas.

– Então, se eu continuar ensinando ela com bastante atenção, mas colocar os contratos na sua mesa na hora certa, não vai mais fazer uma cena?

Ela arqueou a sobrancelha desafiadora e viu quando os olhos de Dani faiscaram de raiva. Aproximou ainda mais o rosto dela, e os lábios das duas estavam a poucos centímetros de distância, assim como seus corpos. Dani cerrou os punhos, tentando controlar a ebulição em seu corpo. Estava com raiva do quanto a presença de Ana mexia com ela, do seu atrevimento e também da sua inteligência.

– Sai da minha sala. Ela disse entre dentes cheia de raiva, a respiração mais forte ao passo que seu peito subia e descia.

– Você acha que me engana com essa pose de autoridade, mas eu sei ler seu corpo. E ele está morrendo de vontade de ser tomado aqui e agora. Ana passou o nariz delicadamente sobre a bochecha de Dani e dessa fez ela fechou os olhos, sentindo cada célula em si queimar, de desejo e de raiva. Não podia acreditar que ficava assim tão vulnerável.

– Sai da minha sala. Repetiu praticamente sem forças, enquanto seus braços finalmente subiam e apertavam o terno feminino de Ana em suas mãos, puxando-a mais para si. Ana sentiu o desejo tomando conta dela e seu centro pulsou com força ao sentir as mãos da executiva apertando com força sua roupa.

– Você precisa se entender sabia chefe? Sua boca diz para eu sair, mas seu corpo…. Ana enlaçou a cintura dela, pressionando seu ventre no de Dani e ambas praticamente gemeram com o toque duro.  – Seu corpo está implorando por mais, assim como o meu.

Dani abriu os olhos. Os castanhos pareciam duas chamas acesas ao mergulhar no azul anil de Ana. E lá estava ela, devorando-a com aquele olhar hipnotizante. Segurando-a firme com a mão de dedos longos. Fazendo-a perder a órbita a ponto de esquecer que estava em seu escritório.

– Cala essa maldita boca Ana! Dani exclamou, puxando-a ainda mais. Sua perna esquerda se abriu e subiu deslizando na perna da ruiva, ao passo em que Ana se colou ainda mais nela.

– Porque você não vem calar… Chefinha!

Os olhos azuis desceram para os lábios carnudos de Dani e aquilo foi o fim para ela. Que se dane o escritório, ela queria beijá-la. A empresária puxou-a outra vez, como se fosse possível estarem mais perto e sua boca devorou os lábios de Ana com fervor. As línguas se encontraram ao mesmo tempo, em um beijo selvagem. Toda o ciúme e paixão pareciam puro álcool, que em contato com a brasa de seus corpos as fez explodir. Ana empurrou Dani para mesa e a executiva sentou-se abrindo as pernas e sentindo o ventre da ruiva pressionar-lhe o centro, ao passo em que suas bocas se devoravam. As mãos de Ana foram para sua bunda, apertando os dois montes com força e a puxando ao passo em que seu ventre se impulsionava para frente. O sexo de ambas pulsava e doía de desejo. Na sala o som era preenchido apenas com o barulho do beijo enlouquecedor, dos suspiros e gemidos abafados por entre as bocas. A língua de Ana explorou cada canto de sua boca, as cabeças giravam enquanto elas se pressionavam cada vez mais. O porta-caneta da mesa tombou quando Ana novamente investiu seu quadril contra a empresária e quase enlouqueceu quando as unhas delas cravaram em sua nuca e o gemido morreu em sua boca.  

Ana encerrou o beijo para respirar e deslizou a língua no pescoço da empresária, ouvindo-a gemer baixo em seu ouvido. Ela entrelaçou as mãos nos cabelos ruivos de Ana mordendo o lóbulo da orelha com um pouco de força, fazendo-a gemer e apertar novamente sua bunda. Os lábios se uniram outra vez, sôfregos e elas se devoravam até que o beijo foi acalmando e as mãos de Ana afrouxaram o aperto nas ancas de Dani, escorregando para cintura dela com cuidado.

Quando os olhos se abriram e elas se encararam, a chama parecia mais branda e a respiração ofegante de ambas entregava o quanto queriam ter ido além. Olharam-se sem reservas, misturando o tom castanho e azul, ao passo que os dedos de Dani desfizeram o aperto no cabelo ruivo, para fazer um carinho ainda tímido na nuca da caçula. Aquilo foi inesperado para Ana. Ela não negou a surpresa e arqueou a sobrancelha confusa. Era algo simples, mas nunca recebeu isso de Dani. Era sempre assim, elas davam um amasso maravilhoso com pegadas e apertos e no dia seguinte parecia que nem tinham quase se devorado. Mas dessa vez, não houve a esquiva cotidiana de Dani. Ela já a teria empurrado em outras épocas, pedindo para que saísse enquanto ajeitava os cabelos. E agora lá estavam elas, ainda conectadas. Dani ainda estava sentada na mesa, e suas pernas apesar de não mais enlaçadas em sua cintura, lhe aconchegavam mantendo-se abertas o bastante para o contato entre os corpos.

– Essa não era a parte que você me empurra e me manda sair?

Ana perguntou, com medo de estar fazendo a maior burrada de sua vida. Talvez Dani ainda não tivesse se dado conta de que ainda estava ali com ela e a pergunta, neste caso, seria a coisa mais idiota a se fazer. No entanto, ela precisava entender. Precisava porque já estava cansada de ter esperanças. Se fosse para ser empurrada que fosse logo. Era melhor isso do que fingir que podia ser diferente dessa vez. Dani pareceu entender o conflito dela e seus olhos abrandaram pela primeira vez. O coração de Ana disparou ao perceber a compreensão nos castanhos e se ela não estivesse iludida demais, podia dizer que tinha até carinho na forma como a empresária a olhava. Os dedos de Dani repetiram o carinho discreto em sua nuca e a caçula achou que realmente estivesse sonhando quando ela inclinou o rosto dando-lhe um selinho extremamente delicado. Foi tão surreal que mal teve tempo de corresponder. Estava paralisada. Dani afastou-se, abrindo os olhos e dando um singelo sorriso cúmplice e tudo que Ana conseguiu fazer foi sorrir. Ela sorriu largo, tão largo que seus olhos diminuíram de tamanho. A morena suspirou e nada conseguiu fazer que não fosse sorrir de volta. Aquela menina quebrava todas as suas barreiras e já estava de saco cheio de fugir disso.

– Essa é a hora em que eu considero que não quero mais fugir.

– Você está brincando comigo, não está?

– E porque eu brincaria? Dani perguntou tranquila e Ana se afastou um pouco dela.

– Você queria me matar há minutos atrás, depois nos devoramos e essa sala quase pegou fogo, e aí você me diz que não vai mais fugir?  

– Eu estou disposta a tentar descobrir no que isso vai dar. Cansei de correr. E parte de mim ainda acha isso tudo a pior das loucuras, mas eu cansei de ouvir apenas minha cabeça nesta equação.

– Eu… Você tem certeza? Ana perguntou receosa.

– Não posso negar que o desejo entre nós é quase palpável, mas eu não quero ser um caso de uma noite só. Não posso fazer isso comigo outra vez. Então, se essa for a situação para você…

– Do que você está falando? Como assim fazer isso de novo?

– Quem sabe um dia eu te conte. O que você precisa saber é que eu não quero ser um caso Ana. Eu passei dessa fase, dessa idade e por mais que eu deseje você eu…

Ana não a deixou terminar de falar. Suas mãos abraçaram a cintura de Dani com cuidado e seus lábios tomaram os dela. O beijo dessa vez foi calmo, apenas uma troca de carinhos. Foi sutil, mas para ambas foi tão intenso quanto o beijo anterior. As mãos da empresária repousaram nos ombros da ruiva e elas deram alguns selinhos até finalmente conseguirem encerrar aquele beijo e abrir os olhos.

– Definitivamente não quero você apenas por uma noite, mas essa mesa ainda continua nas minhas fantasias. Ana arqueou as sobrancelhas divertidas e arrancou um riso gostoso da empresária. Aquilo para ela foi o melhor dos presentes. Dani parecia leve e descontraída em seus braços pela primeira vez.

– Quem sabe se você trouxer os contratos na hora acordada e não se engraçar com a estagiária eu pense no seu caso.

Ana sorriu e deu-lhe outro selinho.

– Adoro mulher braba.

Dani revirou os olhos, mas sorriu, deixando a caçula ali abobalhada contemplando aquela nova faceta dela.

– Você é linda. Eu adoraria te levar a um encontro se você quiser.

A executiva parou de sorrir e encarou-a em silêncio. Por um momento o coração de Ana disparou outra vez. Ela tinha apressado demais as coisas? Afinal, por algum milagre havia conseguido quebrar um pouco do gelo entre elas e logo em seguida já a convidava para um encontro. O pânico a tomou de assaltou e afastou-se de Dani nervosa. Passou a mão pelos cabelos ruivos enquanto a empresária continuava a encarando com a expressão confusa e ainda sentada sobre a mesa.

– Desculpa, não quiser dizer isso. Rápido demais eu sei. Só esquece ok? A gente pode continuar com isso, ou seja lá o que você tiver em mente. Eu só pensei alto demais.  Você não precisa levar a sério nada que…

Dani colocou o dedo indicador sobre os lábios de Ana e a caçula sequer percebeu quando ela desceu da mesa e se aproximou. Sua fala morreu e os olhos congelaram no rosto de Dani que apenas sorriu divertida.

– Impressionante…

– O que? A voz de Ana saiu como um sussurro e ela se controlou para não chupar o dedo de Dani ainda em seus lábios.

– Você divaga igualzinho a Amy quando está nervosa.

– Não divago não.

– Divaga sim, não seja teimosa.

Ana revirou os olhos e suspirou.

– E quanto a sua pergunta, eu aceito.

Ana a encarou na mesma hora.

– O que?!

– Eu aceito ir a um encontro com você.

– É sério isso? A alegria na voz da caçula foi tão natural que Dani acabou rindo. Ela parecia uma criança que havia acabado de ganhar permissão dos pais para fazer algo que queria muito.

– Sim é, mas se você se atrasar como atrasa com os contratos, juro que te deixo plantada.

Dessa vez fora Ana que riu, enquanto Dani se aproximou e começou a ajeitar o terno dela que estava torto devido aos puxões que ela deu.

– Deixa assim. Meus colegas vão saber que você me assediou e vão ter pena de mim pelo resto do dia. Eu adoro que me tragam café ou carreguem minhas pilhas de contrato voluntariamente.

– Você tem uma estagiária para isso.

– Verdade! Ela pode me paparicar mesmo…. excelente ideia.

Dani apertou a gravata dela com mais força e Ana arregalou os olhos, dando uma leve tossida.

– Aí mulher, quer me enforcar?

– Talvez… Agora vai. Já estamos muito tempo aqui e procure disfarçar. Para todos os efeitos nossa conversa não foi agradável.

– É… você acabou comigo chefe! Ana aproximou-se e deu um beijo delicado no canto dos lábios de Dani. Ela afastou-se a deixando ali com o coração acelerado e estava prestes a sair quando a empresária a chamou outra vez.

– E Ana?

– Sim.

Olhando para o relógio em seu punho, Dani pontuou – Você tem agora vinte minutos e dezessete segundos para me trazer os contratos. Nem um minuto a mais.

Ana abriu a boca incrédula, e Dani quis rir, mas manteve a pose firme e o olhar sério de executiva.

– Mas…

– Não mandei perder seu tempo com atividades extracurriculares. Quero os contratos em vinte minutos. Coloque sua estagiária para trabalhar. É um bom teste para ver se ela é de fato eficiente.

Dani deu um sorriso debochado e Ana sorriu largo ao passo em que balançava a cabeça incrédula.

– Como quiser chefe.  

Ana a olhou uma última vez e piscou o olho para ela sedutoramente. Quando ela fechou a porta Dani riu finalmente. Ela mal podia acreditar que tinha feito tudo aquilo. Levou a mão aos lábios ainda meio inchados e fechou os olhos. Seu coração batia feito louco e o sabor do beijo de Ana ainda estava em cada canto da sua boca. Ela estava perdida, literalmente. E pela primeira vez desejou se perder.

Enquanto voltava para baia, a caçula dos Collins parecia flutuar. Aquilo de longe era o maior avanço que obteve em todo esse tempo correndo atrás de Dani. Ela parecia finalmente dar uma chance a ela e não podia desperdiçar a oportunidade. Mantendo o olhar sério, torceu para que as aulas de teatro da época da escola funcionassem para algo. Não podia aparecer nas baias com a cara abobalhada de quem tinha dado uns amassos maravilhosos. Isso colocaria abaixo tudo que conseguiu.

Quando ela entrou no departamento, os colegas pararam de falar e pareciam se compadecer dela. Suprimindo a vontade de rir de alegria, paixão, ou seja, lá o que estivesse sentindo, Ana sentou na cadeira com força, bufando raivosa.

– Foi tão ruim assim? A estagiária perguntou morrendo de medo e a ruiva sentiu-se orgulhosa. Sua garota era intimidante, mas ao mesmo tempo não era odiada. Era admirada por sua excelência e exigência. Todos queriam fazer o melhor possível para receber um elogio de Dani.

– Foi péssimo! Ela está uma fera por que os contratos não estavam na mesa dela. Temos vinte minutos para fazer tudo então precisamos nos apressar. Preciso que revise organize depressa estas pilhas enquanto eu olho as últimas páginas. A estagiária assentiu nervosa indo rapidamente para a mesa ao lado organizar os papéis.

Ed, ouvindo a conversa, levantou-se e colocou a mão no ombro da colega de trabalho com o olhar compassivo.

– Eu te disse Collins, não cutuca a onça com a vara curta ou ela acaba te mordendo. Quer café para ajudar a acalmar?

– Seria bom, valeu cara.

Ed foi em direção a copa, enquanto Ana, contendo o riso, pedia a estagiária para separar por ordem alfabética enquanto ela olhava as últimas páginas do arquivo.

– Não sabia que a vice-presidente era tão braba assim…

– Você não sabe o quanto. Ana respondeu, mas ninguém viu quando a caçula abriu um sorriso de canto lembrando dos beijos ardentes e do ciúme de Dani. De como ela podia ser tempestade e calmaria em questão de segundos.

– E eu adoro mulher braba… Sussurrou apenas para si, sentindo o peito inflar de alegria.

Finalmente a chama estava acesa. E dessa vez ela não a deixaria se apagar. E nem se atrasaria para pegar sua garota.

2 Comentários

  1. Rebecka

    Estou aguardando ansiosa a continuação dessa incrível história. Espero que em breve os próximos capítulos sejam disponibilizados.
    Não pare. Continue a escrever você é inspiradora. Muita luz e que tudo der certo.

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